Visita ao SPA

15-01-2015 16:21

    Regresso fugaz ao SPA para mais um tratamento inconclusivo. Realmente quando começamos a frequentar estes locais parece que não mais de lá saímos. É mais isto e mais aquilo, ver o funcionamento de A, testar B… e vamos voltando, daqui a duas semanas, três meses, o que for permitido na preenchidíssima agenda dos Drs. do estabelecimento.

    A viagem até ao SPA é sempre feita pelo mesmo caminho, conhecido já de outras épocas, altura de faculdade, bem diferente daquela que agora vive. Para lá, o nervoso miudinho de chegar a horas, estacionar, dirigir-se a um novo serviço da instituição, conhecer renovado técnico e desfiar o rosário de maleita adquiridas, retira o usufruto da condução. Chega-se “em piloto automático”.

    Após o tratamento e um aprazível almoço, já com tempo e disponibilidade mental, observa atentamente o que se passa à beira da estrada percorrida. Numa localidade, duas senhoras anafadas e de cores rosadas, de saias de fazenda cinzenta, abaixo do joelho, e xailes pretos ou castanhos e prevenir o frio que teima em tolher os ossos, conversam sobre a vida, delas ou de outrem, debruçadas no muro de fronte para os carros. À frente um vendedor de castanhas assadas enche o ar do cheiro adocicado do fruto e de fumo escuro que se atravessa impiedosamente à frente das viaturas.

    Difusas nos quilómetros cursados vê várias mulheres, quase crianças muitas delas. Fazem-se presentes sem contemplar ostensivamente os carros, aguardando que algum pare. Quando isso acontece ficarão nervosas, talvez, cogitando sobre que tipo de pessoa sairá do automóvel. Uma cativou-lhe a atenção. Leggings pretas e sapatilhas da moda, casaco cinzento de capuz com pelo, bem cingido, cara de adolescente, idade para ser uma das suas alunas, para estar protegida de outra forma, a ter outro tipo de ocupação. Ao passar percebeu os seus olhos tristes que rapidamente se desviaram dos olhares dos condutores.

    E foi assim ontem, é assim no dia a dia, cruzamos com tanta gente, observamo-los melhor ou pior consoante o nosso estado de espírito, e depois obliteramo-los no recôndito da memória de termos passado em determinado local.