Sobre a prova e os professores!

29-01-2015 21:47

    Ela é professora. Em agosto próximo faz vinte anos de serviço, e trabalha num colégio cooperativo, com contrato de associação (outro tema que dá sempre pano para mangas), pelo que não terá que passar pela famosa prova de avaliação dos professores. Claro que, apesar de todos estes anos, se quiser, ou tiver que concorrer para uma escola do chamado ensino oficial, terá que a realizar e até passará para trás de pessoas mais novas e menos experientes, mas, de novo, esse é outro tema! Ah, e não, o colégio onde trabalha não é “para meninos ricos que podem pagar”, como muita gente pensa quando se fala no título colégio. Mas isso também é outro assunto!

    Não teme minimamente ser avaliada. É-o todos os dias por aqueles para quem trabalha, os alunos, é-o pelos seus superiores hierárquicos, e por ai fora. Nenhum professor, pensa ela, como nenhum outro profissional, teme ser avaliado. Se realizamos o nosso trabalho de forma profissional e empenhada, dando o nosso melhor, não devemos temer avaliação.

    A questão que se coloca em relação a esta prova é bem mais ampla e lata do que saber se os professores escrevem ou não com erros ortográficos. Ela orgulha-se de não o fazer, em 99,9 por cento das ocasiões, de se esforçar sempre por não o fazer! Mas é professora de línguas, trabalha diariamente com estas questões. Outros colegas não têm que o fazer, sabem outras coisas, muitas outras, científicas, relevantes, “chinês” para ela.

    Será que neste país de gente tão astuta e rápida no gatilho da crítica e em comentar todos os assuntos, todos os profissionais dominam amplamente toda e qualquer área do seu mester? Um advogado é mau se não souber de cor a que corresponde a alínea a) do artigo 23º do Código Civil e blá, blá, blá? Ou um médico é péssimo se não conhecer todas as razões pelas quais um determinado paciente sofre disto ou daquilo? Um polícia será mau profissional se não tiver na ponta da língua todos os meandros das leis e coimas a aplicar? Até um futebolista se especializa na defesa, na baliza, e em todas essas coisas que ela não domina!

    Sim, um professor ensina mentes, forma o futuro, mas é pessoa, pode e deve cometer as suas gafes linguísticas, se assim acontecer, como o fazem jornalistas, que falam ao país, políticos que discursam ideias, entre muitos outros. Um bom profissional prepara-se antes e isso, pelo menos em relação aqueles que ela conhece, é feito, diariamente, com afinco e determinação. Há bons e maus profissionais em todas as áreas, em todos os locais, mas há que analisar bem aquilo que é pedido numa prova destas. Há que avaliar competências científicas, sim, mas também humanas, sociais, de capacidade de chegar ao público-alvo! E, na opinião dela pelo menos, há que “meter a mão na consciência” antes de comentar notícias sobre este, ou qualquer outro assunto. Todos os factos devem ser conhecidos, ou deviam… mas, de novo, somos humanos e julgamos! O certo era que todas as profissões fossem avaliadas com uma prova de conhecimentos da sua área… ou não!