Rodoviária e os Expressos.

30-07-2015 14:42

    Hoje foi levar a sobrinha ao expresso. Não será exagero dizer que há anos não entrava na gare da Rodoviária, que agora é do Tejo.

    Quando estudava na faculdade as visitas a este local eram frequentes. Semanais. Na verdade pouco ou nada mudou naquele espaço. Os cheiros a borracha, diesel e outros aromas mais inexplicáveis e tal-qualmente desagradáveis, ainda perduram pelo ar. Os autocarros e expressos alinham-se ordenadamente nos espaços de aparcamento. Os mesmos bancos de madeira e metal se encontram por lá, encostados às paredes, para que as pessoas possam esperar sentadas. O café está igual, com uma poderosa máquina de ar condicionado que arranca as notas de cima do balcão, se lá colocadas incautamente. Mas também há novidades… quer dizer… uma ou duas: a bilheteira é noutro local, pode pagar-se com multibanco (ela realmente não entrava ali há bastante tempo) e o sistema de som, onde o senhor diz que “vai partir o autocarro com destino a Pombal, com paragens na Boa Vista, Barracão, Meirinhas…”, é agora mais audível.

    Durante quatro anos, os tais da faculdade, ela fez muitas viagens nos velhos expressos que partiam daquele local. De início ainda não havia autoestrada, o caminho era o da EN 1, e ao domingo à noite o autocarro parava cerca de uma hora num restaurante à beira da estrada, a meio caminho, o que fazia com que aquilo que hoje se faz em 45 minutos levasse quase duas horas a percorrer. Houve viagens mais solitárias e muito fastidiosas, mas muitas houve que foram recheadas de sorrisos e conversas divertidas com os colegas de curso que por lá conheceu, ainda que fossem também da sua cidade. O R, a P e ela chegaram até a viajar num autocarro, que de expresso tinha apenas o nome e o preço do bilhete! Ah! Os tempos em que tinha “cartão jovem” e o bilhete ficava em cerca de 150 escudos! Voltando ao tal autocarro, era daqueles com porta atrás. Esta não fechava completamente, o que fez com que os três fossem até Coimbra, porque não havia mais lugares, a levar com vento e chuva! Sim, por sorte chovia nesse domingo! Era também daqueles cujo tubo de escape era mesmo isso, um tubo por onde se escapavam todos os odores e nuvens de poluição, que iam direitinhos para dentro do autocarro… Eventualmente lá chegaram, sãos e salvos. Hoje recordou esta e outras histórias! Obrigada à Rodoviária pela recordação!