Posto dos Correios

06-04-2015 17:32

    Hoje ela foi ao Correios.

    Há 40, 30 anos atrás, quando era uma miúda, este era um ato normal, corriqueiro. Grande parte das coisas que hoje fazemos pela internet e multibanco eram feitas ali, no posto dos correios. A importância de uma aldeia ou localidade era medida pela existência de uma capela e de um posto dos correios. Era local de reunião diária, de receber notícias de quem estava longe, de recolher as tão necessárias e quistas pensões, de saber noticias, partilhar factos. Era também ai que muitas pessoas, prenhas de sabedoria de vida, mas desconhecedoras dos mistérios das letras, ouviam a funcionária do posto (na memória dela eram sempre mulheres a atender o público nestes locais) a ler as cartas que eram lhes enviadas pelos filhos emigrados em França, residentes nas colónias ou na distante Terra de Vera Cruz.

      Hoje o filho foi com ela. E perguntou tudo, porque estavam ali, para que serviam aquelas caixinhas com nome de “apartado”, porque, porque, porque…. Ao ouvi-lo dizer que era a primeira vez que ali entrava, e efetivamente era, recordou as vezes em que ela entrou nos postos de correios da sua cidade. O mais antigo, no centro da cidade, está hoje “abandonado”. Era tão pitoresco lá entrar e ouvir as pessoas pedir para telefonar. Entravam nas cabines que ladeavam as paredes, com telefones vermelhos lá dentro (ou pretos, mas na sua memória british eles aparecem como vermelhos). Discavam o número pretendido, com aquele som característico dos telefones onde não se carregava em teclas para marcar o número, falavam e no final iam pagar os períodos despendidos, marcados num contador.

     Toda a gente recebia e escrevia cartas. E a espera de receber as respostas era angustiante, por vezes, mas era delicioso receber um envelope com o nosso nome, abri-lo e ler o que alguém nos dizia. Hoje também recebemos cartas, mas na sua maioria são de contas… estas preferíamos não receber e não ter que lhes dar resposta.

    Enfim, tudo é diferente hoje, não melhor, nem pior… só diferente! E bem mais expedito… Mas os correios tinham a sua magia! Pelo menos é assim que ela os recorda!