O civismo, o espirito natalício e o recordar que não vivemos sós...

08-11-2014 19:19

    Hoje, depois de uma manhã cheia de trabalho, voluntário é certo, mas trabalho, ela foi almoçar ao shopping. Já cheira a Natal. Há luzes e bolas gigantes penduradas em cabos de aço, animando os visitantes. O espírito natalício está já despontar nas pessoas, mas nem mesmo isso parece conceder civismo e educação a quem não os tem.

    A zona da alimentação estava apinhada de gente. Nas mesas, observando com atenção, muitas pessoas conversavam apenas, não comiam, ocupando o espaço daqueles que por ali deambulavam com os tabuleiros na mão, enquanto a fome aumentava e a comida esfriava. Apanham uma mesa, sentam-se e meia hora depois lá vem quem ficou na fila com a refeição. Nesse tempo outras pessoas teriam almoçado e não teriam andado por ali à espera. As pessoas aglomeravam-se nas mesas, repletas ainda de tabuleiros sujos, sim, porque realmente é extremamente difícil pegar no nosso tabuleiro e levá-lo até às prateleiras lá colocadas para esse efeito. Bem melhor abandonar tudo na mesa… alguém que limpe!

    Depois de já ter o seu tabuleiro foi procurar, em vão, local para se sentar a almoçar. Mais uma vez, uma criança sentada numa mesa a guardar lugar, homens e mulheres sozinhos em mesas de quatro pessoas, a aguardar que quem agora chegou traga a comida, enquanto muitos outros correm todos os espaços sem ter espaço para se sentar. Ao longe vislumbrou lugar numa daquelas mesas altas e para lá se dirigiu. E como ali é um local sossegado, zen e propício à leitura, dá de caras com uma “senhora” loira, casaco beje e botas castanhas, a ler um livro. Estava acompanhada de três adolescentes. Os quatro consequentemente ocupavam quatro lugares e nem para o lado olhavam quando pessoas com tabuleiros, na zona da comida, ela acha importante reforçar esta ideia, se aproximavam para almoçar. E enquanto ela e o filho se sentaram em lugares separados, a “senhora” lá continuou, sem sequer olhar para o lado, ainda que as pessoas falassem e ela entendesse que queriam fazer aquilo para que aquele lugar serve: comer.

    A falta de civismo que isto representa, na opinião dela, claro, é tanto ou mais chocante quando a dita pessoa se encontrava acompanhada de adolescentes. Mãe ou não, o exemplo dado é o de “eu em primeiro lugar” e nada mais. Ali estiveram a ler, num local daqueles, vendo que ao lado as pessoas comiam num cantinho da mesa alta, em pé, por não haver cadeiras e ao sair deixaram o lixo que fizeram e um esgar de desdém para o lado, porque sim, ouviram o que lhes foi dito, mas optaram por ser “superiores” e ignorar! Assim sim, com toda a ironia o afirma, teremos jovens bem formados no futuro, e um espírito natalício verdadeiro no coração de todos, nesta época de fraternidade e partilha. É o que ela pensa pelo menos!