Natal dos Hospitais, a melancolia...

11-12-2014 18:55

    Septuagésimo Natal dos hospitais na RTP1.

    Ela recorda os dias de escola, quase no final do primeiro período, com o ar a cheirar a Natal e mexidos, ou formigos, o doce do Minho eximiamente preparado por sua mãe. Vinha da escola, e juntamente com a progenitora e irmãs preparavam-se alegremente para a maratona televisiva imitida primeiro do Porto, depois de Lisboa, com paragens nas delegações da emissora televisiva da Madeira e Açores. O pai chegaria mais tarde, depois do trabalho, e iria juntar-se ao bando. A mãe confecionava taças de aletria quente e ligeiramente liquida, com sabor a limão, para o lanche. Ou creme de farinha Maisena. A casa cheirava a bom, a doce, a quente no frio invernoso, a lar.

    Entre as dez da manhã e as oito da noite artistas conhecidos, menos conhecidos, populares ou mais eruditos, desfilavam no ecrã. Era o dia de ver todos os artistas de Portugal coabitando no quadrado que transmitia imagens lá em casa. Todo o artista luso fazia gaudio em estar presente e o desfile de pessoas talentosas era assombroso. Hoje são “os do costume”, os que enchem os domingos à tarde em programas iguais transmitidos pelas diferentes estações televisivas. Na altura havia apenas uma estação. Havia atores, cantores, apresentadores que eram vistos apenas nesta altura e o glamour era deslumbrante, a antecipação de ver aquele astro na TV.

    Certo, ela era criança, tudo ganha outra cor, outra dimensão, nessa altura. Hoje recorda este programa e, sem ser saudosista “ou destas coisas“, emociona-se ao recordar aquelas tardes. Felicidade simples numa época que idolatra, não de hoje, mas de sempre, o Natal.